Educação, confiança, Estado organizado e inovação com ética
Arquitetura e Educação
Arquitetura aqui é política pública materializada. O Senso-ji, em Asakusa, é um conjunto religioso do século VII preservado em meio à cidade viva. O Azabudai Hills, recém-inaugurado, integra áreas verdes, cultura, moradia e trabalho em alta densidade. Marunouchi concentra escritórios, serviços e circulação intensa. Antigo e recente convivem com densidade alta, planejamento contínuo e preservação histórica.
Educação aparece no cotidiano. Crianças pequenas caminham sozinhas em Meguro e Setagaya. Mochilas grandes. Sem escolta. Trânsito organizado. Adultos atentos. Escola integrada ao bairro. Política pública sustentada por décadas, visível no comportamento coletivo.
Transporte, saúde e segurança
Transporte é infraestrutura confiável. Trocas de linha em Shibuya ou Shinjuku. Uso diário da Yamanote Line, o anel ferroviário que conecta Tóquio inteira. Horário cumprido ao minuto. Sistema denso. Uso massivo.
Saúde é rede capilar. Clínicas de bairro em Bunkyo e Minato. Hospitais conectados ao transporte público. Acesso rápido. Prevenção como rotina. Sistema organizado.
Segurança é previsibilidade. Caminhar à noite por Asakusa, Ginza ou Ueno sem tensão. Iluminação adequada, presença estatal discreta, tecnologia integrada. Regra respeitada.
Nada disso surgiu do zero.
História Comparada
No século XVIII, Minas Gerais e Japão viveram momentos decisivos. Minas concentrou cerca de 60% do ouro produzido no mundo. Ouro Preto chegou a ter mais habitantes do que Nova York. O Japão, no mesmo período, vivia o xogunato Tokugawa, com sede em Edo. Sem colônias. Sem ouro. Com administração territorial, alfabetização crescente e estabilidade institucional. Em 1800, a alfabetização masculina japonesa superava 40%. No Brasil colonial, era residual.
Minas organizou sua economia na extração. O Japão organizou sua sociedade na disciplina. Minas produziu riqueza rápida. O Japão produziu capacidade estatal. Quando o ouro acabou, Minas perdeu centralidade. Quando o mundo mudou no século XIX, o Japão reagiu.
Em 1868, na Era Meiji, o Japão aboliu o feudalismo, criou um Estado nacional, implantou educação obrigatória, enviou estudantes à Europa e estudou modelos alemães, britânicos e franceses. Em 1900, já era potência industrial. Em 1945, foi devastado. Em 1950, tinha PIB per capita próximo ao de países pobres. Entre 1950 e 1980, cresceu a mais de 8% ao ano. Em 1980, era a segunda maior economia do mundo.
Japão atual
Hoje, o Japão tem cerca de 125 milhões de habitantes. É a maior democracia liberal do planeta em população. No Democracy Index 2023, obteve nota 8,15. Em um mundo onde mais de 70% da população vive sob regimes autoritários ou híbridos, isso é decisão civilizatória.
Yuval Harari alerta para o futuro. Algoritmos, inteligência artificial, internet e smartphones avançam rápido. A cooperação humana não acompanha o mesmo ritmo. Democracias exigem coordenação, confiança e instituições funcionais. Verdade e justiça não são mercadoria.
O Japão oferece uma resposta prática. Educação universal e sustentada no tempo. Confiança entre cidadãos, instituições e regras. Estado organizado, em evolução, com infraestrutura como prioridade, inovação com ética, saúde com prevenção e segurança com inteligência.
Bandeiras
É isso que Minas Gerais pode extrair. Não copiar. Aprender. Adaptar. Aperfeiçoar. O Japão se reconstruiu depois de bombas atômicas. Minas Gerais nunca passou por isso. Nossa responsabilidade é outra.
As bandeiras ajudam a lembrar. No Japão, um círculo vermelho no fundo branco. Em Minas, um triângulo vermelho no fundo branco. Formas diferentes. Mesma cor. O que está em jogo é escolher um projeto de civilização para Minas Gerais. Educação, antes de tudo. Confiança, na sequência. Estado organizado, em evolução.
Os japoneses têm uma expressão para isso: “fueki ryuko”. Preservar o essencial. Atualizar o necessário. Atualizemos Minas Gerais.


