MDB, 60 anos: com futuro e passado

Para abrir espaço, formar lideranças, oferecer soluções

O Movimento Democrático Brasileiro nasceu em um ambiente sufocante, marcado pelo bipartidarismo imposto pela ditadura. Não nasceu para ser confortável. Nasceu para ser necessário. Era a oposição possível num Brasil em que a democracia havia sido mutilada. Desde o início, foi um espaço real de atuação política, um lugar onde ainda era possível organizar ideias, lideranças, resistência.

O MDB reuniu uma geração inteira de grandes quadros, e nomes como Tancredo Neves e Ulysses Guimarães estiveram entre os melhores daquele tempo. Faltava o essencial: um espaço aberto, sem dono, onde pudesse atuar com liberdade. Foi no MDB que encontrou esse ambiente. Cresceu porque teve oportunidade para agir e respondeu ao seu tempo com coragem e responsabilidade. Não chegou como símbolo. Tornou-se porque havia um partido capaz de acolher, confiar, permitir.

Essa lógica explica por que o MDB atravessou décadas e ajudou a construir a democracia brasileira. Foi decisivo na transição, na Constituinte e na reorganização institucional da República. Foi grande quando foi útil. Foi relevante quando abriu espaço e organizou respostas.

O desafio aos 60 anos é outro. Não é olhar para trás. É olhar para fora e para frente. Há hoje inúmeras lideranças fora dos partidos, com disposição pública e espírito de serviço, que ainda não encontraram um ambiente político sério onde atuar. O MDB sempre foi esse lugar de entrada. Precisa continuar sendo.

Ninguém vive de passado. Camisa não ganha campeonato. O passado ensina e orienta. Não resolve fila no posto de saúde, não melhora a escola pública, não gera emprego, não organiza a segurança, não devolve eficiência ao Estado. O MDB se tornou parte da vida brasileira porque combinou duas coisas essenciais: abertura e solução.

Oportunidade para quem quer fazer política com seriedade. Solução para os problemas reais da sociedade.

Esses problemas são claros. Minas Gerais convive com gargalos em infraestrutura, logística e saneamento. O Brasil enfrenta desafios em educação, produtividade e segurança pública. A transição energética, o envelhecimento da população e a revolução tecnológica exigem capacidade de planejamento e execução. O MDB só fará sentido se estiver conectado a esses temas com execução, método e proposta. Sem abrir mão da defesa da democracia.

O MDB não tem dono. Não é conduzido por uma vontade única. É institucional, estruturado e aberto. A liderança nacional de Baleia Rossi e a condução em Minas por Newton Cardoso Júnior expressam isso na prática.

Essa abertura precisa ser sustentada com formação. A Fundação Ulysses Guimarães cumpre papel decisivo. Forma, organiza, prepara. Não é apenas memória. É método. É qualificação de quadros.

Eu vivi isso. Me filiei ao MDB em 2024, fui acolhido e disputei a Prefeitura no mesmo ano. Em 2026, me apresento como pré-candidato ao governo de Minas Gerais com dois anos de filiação. Isso só acontece onde existe abertura real. Em pouco tempo, assumi a presidência do diretório em Belo Horizonte e da Fundação Ulysses Guimarães em Minas Gerais. Aqui, quem pretende fazer política encontra ambiente para isso.

Sigo defendendo candidaturas independentes. Em uma democracia madura, ninguém deveria ser obrigado a se filiar a um partido para disputar eleições. Ao mesmo tempo, partidos precisam ser reais. Não podem ser cartórios eleitorais. Precisam ter formação política, propósito público e vida interna.

O MDB não pretende ser perfeito e tem consciência de seus defeitos. Ainda assim, continua sendo o melhor exemplo entre os partidos brasileiros porque respeita as diferenças e sabe administrá-las.

Aos 60 anos, o MDB precisa reafirmar sua razão de existir: abrir espaço, formar lideranças, oferecer soluções.

Ulysses foi um entre muitos grandes nomes. Tornou-se maior porque encontrou um partido aberto e um Brasil que precisava de resposta. É isso que precisa acontecer outra vez.

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Gabriel de a a z

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