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Minas Gerais, enfim, tem montanhas!

Gabriel Azevedo sentado em uma pedra à margem do rio Santo Antônio, em Ferros, Minas Gerais, com uma ponte e montanhas ao fundo.

Novo Mapa do Relevo Brasileiro e a pluralidade destas terras

“As montanhas são preces de granito, que a Deus agradecem com fervor.” O hino do município mineiro de Ferros, com letra de José Virgílio Gonçalves, já ensinava: até as montanhas sabem agradecer.

Deveria ter havido uma comoção territorial entre os mineiros. O IBGE incluiu as montanhas como classe própria no novo mapa do relevo brasileiro. Minas Gerais concentra 37,3% da área assim mapeada no Brasil. Finalmente poderemos falar das nossas montanhas sem aparecer um chato para corrigir o que vemos da janela. A classificação chegou depois dos poetas.

Em “Obras”, publicado em 1768, Cláudio Manuel da Costa escreveu: “Destes penhascos fez a natureza / O berço, em que nasci”. No mesmo soneto, espanta-se com a alma terna que nasceu entre pedras tão duras. Gosto dessa aparente contradição: a firmeza da nossa terra não exige a dureza do nosso coração.

Henriqueta Lisboa declarou em entrevista: “Eu só poderia ter nascido em Minas. Caso contrário, sairia andando pelo Brasil até encontrar o meu berço.” Em “Montanha viva: Caraça”, de 1959, fez da serra uma presença de conhecimento, fé e história. Ali estão a biblioteca, o santuário e as vidas que por aquele lugar passaram. Até os burrinhos que levavam livros serra acima entram nos poemas. Carregavam no lombo um mundo de ideias. A montanha também é memória.

João Camillo de Oliveira Torres foi investigar essa relação em “O homem e a montanha”, de 1944. Procurou compreender como a mineração, o relevo e a vida nas cidades ajudaram a formar nossos costumes e instituições. A paisagem participa da história de quem a habita. Nas câmaras e nas irmandades, a vida coletiva encontrava maneiras próprias de se organizar.

Essa atenção à vida local me interessa. Um estado tão diverso precisa ser compreendido a partir de suas comunidades, dos problemas que elas enfrentam e das relações que seus moradores constroem.

Guimarães Rosa escreveu, no texto “Minas Gerais”, de 1957, depois reunido em “Ave, palavra”: “Minas é uma montanha, montanhas, o espaço erguido”. Reconhecia também a pluralidade desta terra. São leituras que todo mineiro deveria conhecer. Ajudam a entender o lugar de onde viemos e a responsabilidade que temos por seu futuro.

Disputar o governo de Minas Gerais é conhecer o tamanho dessa responsabilidade. Há distâncias que o mapa informa e diferenças que só a escuta revela. É um desafio enorme conquistar confiança num estado de tantas realidades. Recebi 237.051 votos, distribuídos por todos os 853 municípios. Sem exceção. Penso nas pessoas que, em cada um deles, reservaram um instante diante da urna para confiar em mim.

Não fui eleito desta vez. Saí da campanha, porém, com a convicção de ter conquistado o respeito do meu povo. E com uma gratidão que continua comigo. O resultado encerra uma disputa; não encerra os vínculos construídos pelo caminho, nem o dever de cuidar da terra que me formou. Esse compromisso alcança também quem fez outra escolha nas urnas. Quero conhecer suas razões, continuar ouvindo essas pessoas e trabalhar pelo que temos em comum.

Foi essa gratidão que ontem, 5 de novembro, me levou ao município de Ferros. Fui agradecer ao prefeito Carlos Elísio de Oliveira, o Professor Carlinhos, do nosso MDB. Sua mobilização foi decisiva para que eu recebesse ali 1.475 votos, 26,88% dos válidos, meu maior percentual entre os 853 municípios de Minas Gerais. Ao agradecê-lo, agradeço a todos que me receberam e acreditaram em mim, em cada canto do estado.

O hino dessa cidade me parece ainda mais bonito agora. Se as montanhas agradecem, como poderia faltar gratidão a um homem de Minas Gerais? Quero que ela apareça nas minhas atitudes, na disposição de continuar trabalhando, de ouvir e de voltar.

A tradição local conta que os garimpeiros deixavam suas ferramentas de ferro às margens do rio Santo Antônio. Quando precisavam delas, diziam: “Vamos aos ferros!” Desse chamado teria nascido o nome da cidade. Gosto da ideia de um lugar batizado pelo gesto de retomar as ferramentas.

Continuarei cuidando de Minas Gerais. Há gente a quem agradecer e trabalho a fazer. Vamos aos ferros!

Gabriel Azevedo
Escrito por
Gabriel Azevedo

Professor, Advogado, Jornalista, Político, Publicitário e doutorando em Direito.

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