Eu não tenho. E quero que os criminosos de Minas Gerais tenham muito medo da Polícia Federal. Medo não de abuso, arbitrariedade ou espetáculo. Medo de dados, disciplina e método. Medo de inteligência funcionando no tempo certo. Medo de um Estado que aprende, executa e planeja. Medo de instituições que conhecem o território e agem com precisão.

A Polícia Federal não nasceu grande. Criada em 1944 como Departamento Federal de Segurança Pública, teve início restrito à antiga Guanabara e a funções como polícia marítima e de fronteira. Ao longo das décadas, ganhou atribuições e se consolidou, sobretudo após a Constituição de 1988, como polícia judiciária da União e guardiã de interesses nacionais sensíveis. Em 2007, o nome foi simplificado. A essência permaneceu: polícia de Estado, não de governo.

Em Minas Gerais, essa trajetória começou de forma modesta. Uma sala no Centro de Belo Horizonte, depois duas, depois a sobreloja do Edifício JK, onde a Polícia Federal funcionou por 17 anos. Estrutura pequena, presença crescente. Hoje o cenário é outro. Está em curso um ciclo de investimentos com nova superintendência em Belo Horizonte e novas sedes no interior. Em poucos anos, Minas Gerais terá uma das estruturas mais modernas da Polícia Federal no país.

Foi também em Minas Gerais, em 2014, que nasceu uma experiência relevante de integração no combate ao crime organizado: a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado. A ideia foi simples: integração sem hierarquia cruzada. Polícia Civil, Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Penal e Polícia Rodoviária Federal atuando juntas, com coordenação clara. O modelo funcionou e se espalhou pelo país.

Essa experiência aponta três caminhos para qualquer governador que queira tratar segurança pública com seriedade.

O primeiro é assumir a integração como política permanente. O principal obstáculo no enfrentamento do crime organizado não é a ausência de leis ou corporações. É a fragmentação. Bancos de dados isolados, operações desconectadas e disputas institucionais reduzem a eficácia do Estado. Fortalecer estruturas integradas com inteligência compartilhada é decisão política.

O segundo é ajustar o tempo da polícia judiciária. O modelo reativo, baseado apenas na notícia-crime, chega tarde para fenômenos rápidos como corrupção organizada, lavagem de dinheiro e processos eleitorais. A atuação moderna exige produção de informação contemporânea e capacidade de agir enquanto o ilícito acontece.

O terceiro é tratar território e logística como eixos da segurança. O crime organizado opera por rotas. Estradas e rodovias são veias. O Norte de Minas funciona como estratégico no entroncamento das BRs 135, 251 e 365, conectando Minas ao Nordeste e ao Espírito Santo. Quem controla esse ponto controla fluxos de armas, drogas e minério ilegal.

Essa lógica integrada produz resultados importantes. Investigações da Polícia Federal desmontaram organizações criminosas que corrompiam agentes públicos e degradavam o patrimônio do povo. Em 2025, operações resultaram no sequestro e apreensão de bilhões em bens.

Os dados do sistema prisional reforçam o diagnóstico. Segundo o Conselho Nacional de Justiça, Minas Gerais tem cerca de 79 mil pessoas privadas de liberdade, além de 19.620 procuradas, 149 foragidas e 4.714 monitoradas eletronicamente.

A conclusão é simples. Quem age corretamente não precisa temer a Polícia Federal. Quem vive do crime precisa.
Eu não tenho medo da Polícia Federal. E quero que os criminosos de Minas Gerais tenham.