Infraestrutura é patrimônio, não despesa

Quando o Estado deixa de cuidar, destrói valor

Sou pré-candidato a governador de Minas Gerais e estou profundamente preocupado com a condição da nossa infraestrutura, sobretudo das estradas. Por isso, estive no SICEPOT-MG, o sindicato que representa as empresas de construção pesada e infraestrutura no estado, e conversei durante toda uma manhã com o presidente Bruno Baeta Ligório, que foi extremamente generoso ao compartilhar dados e diagnósticos de quem vive a execução real das obras públicas. Saí dali com posições muito claras.

Infraestrutura não é apenas obra. É patrimônio. Drenagem, estrada, ferrovia, ponte e viaduto são ativos públicos. Custam caro para ser construídos e perdem valor quando não são mantidos. Quando o Estado deixa de cuidar, não economiza. Destrói valor e cria uma conta maior para o futuro. O exemplo mais direto está nas rodovias. Minas Gerais tem hoje uma previsão orçamentária próxima de R$ 600 milhões por ano para manutenção, valor constante da Lei Orçamentária Anual. A necessidade real, no entanto, estaria perto de R$ 2 bilhões anuais. A diferença não é economia. É passivo. O próprio setor estima algo entre R$ 8 bilhões e R$ 9 bilhões acumulados em necessidade de reconstrução de trechos que não receberam intervenção no momento correto.

Aqui está um ponto importante: esse problema não decorre apenas de uma decisão isolada do Poder Executivo. Ele revela uma rigidez estrutural do orçamento público, com baixa capacidade de investimento direto do tesouro. Ou seja, o Estado não deixa de investir porque quer. Deixa porque não consegue. O asfalto tem vida útil. Depois de sete a dez anos, começa a trincar. Se o Estado intervém nesse momento, o custo gira em torno de R$ 500 mil por quilômetro. Se não intervém, a água infiltra, atinge base e sub-base e o problema se agrava. A obra deixa de ser manutenção e vira reconstrução. O barato vira caro de forma sistemática. Minas Gerais tem cerca de 25 mil quilômetros de rodovias estaduais, sendo aproximadamente 20 mil quilômetros sob responsabilidade direta do DER-MG. Para manter esse patrimônio, seria necessário intervir em cerca de 2 mil quilômetros por ano, o que levaria a um custo próximo de R$ 2 bilhões anuais. Hoje, estamos muito abaixo disso.

Essa discussão vai muito além de buracos na pista. Estrada ruim aumenta acidentes, pressiona hospitais como o João XXIII, dificulta o trabalho das forças de segurança, encarece o transporte escolar e reduz a competitividade do agro e da indústria. Infraestrutura precária faz o Estado gastar mais para entregar menos. E o mais importante: tudo isso pesa no seu bolso, que já está com dificuldade de fechar as contas do mês.

Também discutimos o quadro nacional. O estoque de infraestrutura do Brasil estaria em torno de 35% do PIB, enquanto países desenvolvidos superam 60%. A depreciação anual dos ativos giraria em torno de 2,27% do PIB, com investimento próximo de 2,22%. Estamos desinvestindo.

Diante disso, três decisões são urgentes. A primeira é mudar a forma de contratar. O Estado precisa parar de escolher apenas o menor preço e voltar a contratar técnica e preço. Hoje, o modelo leva a projetos ruins, contratos frágeis e obras paralisadas.

A segunda é garantir recurso estável. Minas Gerais precisa de um Fundo de Infraestrutura. Manutenção não pode depender de sobra orçamentária. Eu insisto na criação de fundos, porque é fundamental viver de rendimentos e de uma poupança bem feita. No início, o recurso é menor. Com o tempo, o Estado ganha estabilidade. As próximas gerações vão agradecer.

A terceira é planejar o longo prazo. Minas Gerais precisa de um plano estruturado até 2050. A reforma tributária vai reduzir a importância da guerra fiscal, com impacto decisivo a partir de 2033. Temos pouco tempo. Extrema é um exemplo claro: cresceu porque combinou incentivo mineiro com logística próxima de São Paulo. Logística vence imposto. Minas Gerais precisa criar novas regiões competitivas, conectadas e preparadas.

E há um ponto decisivo: o desenvolvimento só virá com a combinação inteligente entre investimento público e privado. Não existe solução isolada. É essa complementariedade que cria um ciclo virtuoso de investimento, atração de empresas, aumento de arrecadação e crescimento sustentável.

Quem quer governar Minas Gerais não pode pensar apenas na obra que inaugura no mandato. Precisa cuidar do patrimônio existente e preparar o Estado para as próximas décadas. Infraestrutura é a base da prosperidade.

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Gabriel de a a z

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