Estado não precisa de slogan, precisa de responsabilidade
Há slogans que nascem velhos. “Minas é pra frente” tenta vender avanços; os dados mostram retrocessos. O TEMPO revelou que o governo trocou a marca anterior por esse mote e lançou um site para exaltar educação, infraestrutura, saúde e segurança pública às vésperas da restrição eleitoral. A propaganda diz que Minas Gerais vai para frente. A planilha diz outra coisa: o próprio governo enviou à Assembleia uma previsão de déficit de R$ 7,67 bilhões para 2027.
Vamos traduzir. PLDO é Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias. É o roteiro que vem antes do orçamento final. Nele, o governo diz quanto espera arrecadar e quanto pretende gastar no ano seguinte. Se esse roteiro já nasce com R$ 7,67 bilhões no vermelho, não é fofoca política. É a conta feita pelo próprio governo. A escalada é assustadora: a LDO de 2026 previa déficit de R$ 2,3 bilhões; o orçamento aprovado para 2026 apontou R$ 5,21 bilhões; agora a projeção chega a R$ 7,67 bilhões. De um ano para outro, o buraco cresceu quase 47%. E, se o erro entre a previsão inicial e o orçamento de 2026 se repetisse em 2027, o rombo poderia passar de R$ 17 bilhões. O alerta é claro: o governo erra o tamanho do buraco enquanto o buraco aumenta.
Esse governo não acabou de chegar. Estamos no oitavo ano de uma gestão iniciada em 2019. Depois de quase uma década culpando o antecessor, ainda se fala em “desequilíbrio estrutural herdado e ainda em reorganização”. Quanto tempo mais será necessário? Duas décadas? Esse é o ponto levantado pelo meu amigo Marcos Lisboa, coordenador da área socioeconômica do meu plano nesta pré-campanha. Marcos é doutor em economia; foi secretário de Política Econômica; presidiu o Insper; e foi vice-presidente do Itaú Unibanco. Eu o escolhi porque Minas Gerais precisa de diagnóstico sério e sincero. Se o governo erra tanto suas próprias projeções, como confiar que controla os números?
O caso das renúncias fiscais é ainda mais grave. Estimativas baseadas em dados da Secretaria de Estado da Fazenda indicam que, em oito anos, Minas Gerais pode deixar de arrecadar mais de R$ 120 bilhões em benefícios tributários. No primeiro ano da gestão, a renúncia anual era de cerca de R$ 6,1 bilhões. Para 2026, a previsão chega a R$ 25,2 bilhões. Isso equivale a quase dois terços da dívida de R$ 179,3 bilhões renegociada com a União.Enquanto o déficit cresce, o Estado abre mão de uma montanha de dinheiro. Por qual razão? Quem recebe esses benefícios? Qual contrapartida entrega? Quantos empregos gerou? Quanto voltou ao caixa público? Sem transparência, nem é possível verificar conflitos de interesse, inclusive eleitorais. As perguntas seguem sem resposta, enquanto beneficiários ficam sob sigilo.
Também não estamos falando de um Estado pequeno. O orçamento de 2026 estima receita fiscal de R$ 141,75 bilhões e despesa de R$ 146,97 bilhões. O gasto com pessoal chega a R$ 73,41 bilhões; representa 54,7% da despesa fiscal; e fica acima do limite prudencial da LRF. Antes de slogan, Minas Gerais precisa falar de despesa, dívida, folha e previdência.
E cadê o resultado na ponta? Na educação, só 9,9% dos estudantes da rede pública estadual estão em tempo integral, contra meta de 25%, e o Ideb ficou abaixo da meta em todas as etapas. Na saúde, a Assembleia registrou pacientes nos corredores do João XXIII esperando de 8 a 15 dias por cirurgias de urgência. Na segurança, dados apresentados na Assembleia mostram feminicídios consumados subindo de 169 para 177 entre 2024 e 2025 e média de 442 casos de violência doméstica e familiar contra a mulher por dia em 2025.
Minas Gerais já conheceu a ideia de déficit zero. Controle de conta pública não é fantasia; é decisão política fundamental. Por isso, defendo o oposto do que este governo apresenta: avaliação permanente do serviço entregue à população, governança real do gasto, revisão das renúncias fiscais e transparência total no orçamento. Também pretendo contar com Marcos Lisboa no secretariado, caso seja eleito. Minas Gerais não precisa de propaganda “prafrentex”. Minas Gerais precisa de responsabilidade fiscal, porque quem não cuida das contas não cuida das pessoas.


